Acordei hoje com uma pergunta persistente: estou no caminho “certo” ao reduzir as redes sociais ou estou apenas me isolando?

Existe um termo moderno para isso, o FOMO (Fear of Missing Out), mas às vezes sinto que o que vivo é uma versão de “luxo” desse medo — o receio de que, ao desconectar, o mundo continue girando e eu fique para trás.


O Despertar do “Sentimento Estranho”

Recentemente, em um impulso de tédio, reativei meu histórico do YouTube. O que encontrei foi um choque de realidade. A home parecia um mercado de ansiedade: vídeos tentando me ensinar a viver ou me vender o estilo de vida perfeito (e, geralmente, um curso por trás).

Tentei assistir a um desses guias de “17 hábitos para mudar sua vida” e não aguentei cinco minutos. É uma perda de tempo passiva. A grande ironia? O algoritmo me oferecia fórmulas prontas para a felicidade, enquanto eu só buscava autonomia.

Reflexão: Telas não são demônios nem anjos. Tudo depende da dose.

Redes Sociais e o Apego Afetivo

Minha relação com o Instagram é ambivalente. Sei que o conteúdo é raso e passivo — ficamos ali, esperando algo pescar nossa atenção. Mas há um componente afetivo. Conheci pessoas incríveis lá que hoje fazem parte da minha vida real.

O problema não é a rede, mas o gesto automático de abrir o app em busca de uma novidade que nunca preenche o vazio. Minha solução foi drástica e eficaz:

  1. Usei a função de Bem-Estar Digital do celular.
  2. Configurei o tempo de uso para zero.
  3. Ver o ícone cinza e bloqueado foi o freio que minha mente precisava.

O mundo não acabou. Aquela pessoa que eu gosto continua gostando de mim do mesmo jeito.

O YouTube e a Ferramenta de Trabalho

Com o YouTube, o buraco é mais embaixo. Tenho um apego emocional; boa parte do meu conhecimento em tecnologia veio de lá. Mas percebi que o usava como “ruído de fundo” para o tédio.

Minha nova estratégia é o Minimalismo de Busca:

  • Histórico desligado: Ao abrir o site, vejo apenas uma barra de pesquisa em branco.
  • Intencionalidade: Só assisto ao que vou aplicar (como montar uma cadeira ergonômica ou resolver um problema técnico).
  • Fim do tédio assistido: Não quero gastar meu tempo livre apenas “assistindo algo” para o tempo passar.

O Que Fazer com o Vácuo?

A pergunta que sempre surge é: “Se eu não estiver rolando o feed, o que vou fazer?”. É aqui que a mágica acontece.

Ao abrir mão do conteúdo inútil, sobra o que sempre dizemos não ter: tempo.

  • Leitura: Voltar a ler livros e consumir conteúdos longos.
  • Idiomas: Encarar textos em inglês sem a muleta do tradutor.
  • Saúde: Praticar mais exercícios físicos.
  • Habilidades: Aprender novas ferramentas na minha área de atuação.

A lição que fica para esta jornada é simples: analise o tempo gasto no que não agrega versus o desejo de realizar o que você diz que “não tem tempo” para fazer. A liberdade não está em deletar tudo, mas em deixar de ser um espectador passivo da própria vida.